Eu estou com medo. Muito medo. Tomo coragem e levanto um pouco o rosto. Estou aqui, escondido de baixo da mesa, olho e vejo o seu coturno negro, e ao lado, um chicote.
O mesmo que ele bateu em mamãe ontem. Papai esta me procurando. Ele vai me castigar. Eu só sou uma criança. Papai chegou mais perto, papai vai me bater. Ouço o som da porta.
Alguém esta chamando. Deve ser a mamãe. A mamãe entra, e o papai deve espanca- lá. Eu olho para o lado, e vejo a espingarda do meu pai. Eu a pego e grito mentalmente -Mami eu estou indo.
Vou ate a sala, e o papai esta dando
chicotadas. O grito dela esta cada vez mais desesperado.
Meu
coração aperta, e sinto meu estomago se embrulhando. Tenho nojo do meu pai. Eu
acho que ele vai matar a mamãe. Eu não entendo, eu, ela, nunca fizemos nada de
mal para ele.
Eu não
suporto mais, não suporto mais isso. Eu estou aqui, vendo tudo. Sou apenas uma criança
indefesa, mas que agora vai se defender. Aponto a espingarda para o meu pai,
ele não esta vendo nada, ele esta de costas para mim. Mamãe me olha, e me
implora:
-Não. Não faca isso minha criança.
Papai olha para traz
-
Vai atirar no seu próprio pai? Vamos ver quem mata quem. Você não tem coragem
de machucar uma mosca, criança maldita.
Eu aperto o gatilho.
O corpo do papai esta sangrando. O que foi que eu fiz? A mamãe me olha indignada. Eu sou um monstro?
- mamãe, agora estamos seguros - Diz eu se mergulhando em lagrimas, tao frágil
agora, como nunca estive antes.
Olho para a mamãe com expectativa.
Papai caiu no chão,
e minha mãe pega o chicote. Ela esta se aproximando. Não. Não estou
acreditando. Mamãe nunca me fez mal. Ela vai me bater. Mamãe vai me bater. Eu
aperto o gatilho mais uma vez.
E agora estou no chão.
Meu corpo esta perdendo seus movimentos. Eu atirei em mim. Eu estou morrendo.
Prefiro morrer a vê a minha mãe me espancando.
Por que
fazem isso comigo? Tudo esta se apagando. Estou ficando cego? Eu não sei. Mas não
me movo mais, vejo apenas um pouco, ainda posso ver minha mãe chorando pelo meu
pai, e oscilando o olhar para eu entre raiva e ódio. O que eu fiz mamãe? Por
favor, me diz.
Eu atirei
em mim. Eu atirei em papai. Mamãe nós estávamos seguros. O que você fez mamãe?.
Luto contra a morte, e crio forcas, a espingarda
esta do meu lado, tendo mover minha mão. E enquanto mamãe chora eu aperto o
gatilho. Eu atirei na cabeça. Mamãe esta morta, e agora, eu estou morrendo. Foi
sua culpa mamãe. Mas finalmente agora estamos seguros.
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